Nunca tinha parado pra analisar que “zombar” de quem fala “errado” era preconceito, eu cometia preconceito lingüístico e nunca me dei conta. Ao ler o livro de Marcos Bagno, “Preconceito Linguístico - O que é? Como se faz?”, notei que a minha atitude era preconceituosa e sem cabimento.
Ao criar o blog, minha ideia era mostrar uma entrevista com a minha avó falando sobre o seu baixo nível de escolaridade e as consequências da mesma. Quando fui abordá-la perguntei para ela se eu poderia fazer uma entrevista e filmá-la, ela me respondeu da seguinte forma: “’firmar’ o quê?” Imediatamente eu sabia que ela seria a pessoa certa para retratar o que eu estava procurando. Mas, por motivo de força maior, não consegui fazer a filmagem. De todo modo, essa pequena demonstração de “erro” gramatical já estaria de bom tamanho.
Minha avó, Dona Angelina, estudou até a 4ª série e assim como muitos brasileiros tem uma certa dificuldade na pronúncia e escrita de algumas palavras. Mas, no momento em que ela falou “firma”, ela errou? Gramaticalmente falando sim, no entanto levando em consideração seu baixo nível de escolaridade, não, essa seria uma das variáveis da língua portuguesa. Quem estudou um pouco mais que a mesma provavelmente não teria falado dessa forma, pois se acredita que tenha no mínimo certo domínio da gramática normativa da língua portuguesa, mesmo que pouco.
Fica dica: da próxima vez que alguém falar “errado” perto de você, leve em consideração suas condições escolares antes de fazer um pré-julgamento do seu modo de falar, e assim, você, não sair como ignorante.
Por Ísis Gomes
quinta-feira, 27 de maio de 2010
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A sabedoria de nossos avôs vai muito além daquilo que eles nos falam...
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